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01/08/2019

Piracicaba atrai hubs e se destaca no setor

Piracicaba atrai hubs e se destaca no setor

Com expressivo número de startups, cidade é chamada de “AgTech Valley”, em referência ao Vale do Silício californiano

Fonte: Jornal de Piracicaba 01/08/2019

Os canaviais ainda são preponderantes na área rural da cidade, mas Piracicaba nos últimos tem deixado de ser considerada apenas um reduto de produção de cana de açúcar com destaque no cenário nacional para se tornar um polo de empresas que buscam soluções para mudar e melhorar um dos setores mais importantes da economia do país: o agronegócio. Ao entrar em seus 252 anos de fundação, a cidade sedia hoje 120 das 300 startups brasileiras dedicadas ao agronegócio (ou agtechs), segundo dados da ABStartups (Associação Brasileira de Startups). Essas startups estão concentradas em hubs que produzem e sua presença já deu à região os apelidos de “Vale do Agronegócio” ou “AgTech Valley”, em referência ao Vale do Silício californiano. As inovações locais estão sendo usadas em todo o país e até mesmo no exterior. Mas quais as razões para que a cidade tenha chegado a essa vocação? “O município é um grande incentivador de inovação aberta, o que abre espaço para a entrada de novas soluções e startups. O Pulse, como um hub em inovação referência em Piracicaba e no agronegócio, vê no município uma grande oportunidade para conectar diversos players de inovação de maneira a convergir interesses para o surgimento de ideais disruptivas, que solucionem os problemas das companhias. Esse é um grande diferencial de Piracicaba e a tendência para os próximos anos é que esta característica seja ainda mais potencializada, principalmente com o advento de novas soluções”, avalia o gerente de inovação digital da Raízen, Pedro Noce. O cofundador da AgTech Garage, José Tomé, explica que quando se fala em atrair hubs a uma cidade, um atributo fundamental é a densidade, ou seja, estar todo mundo junto. “Com os desafios os cada vez mais complexos é importante ter times multidisciplinares, com diferentes pessoas envolvidas, desde a startup à grande empresa, que entra no acesso ao mercado, aos investidores, à academia. Todo mundo junto permite você chegar a soluções de forma mais eficiente e mais rápida. A palavra-chave é rapidez. E Piracicaba já reúne historicamente atores importantes como universidades, com destaque para a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), e grandes empresas como a Raízen, Coplacana, CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e Imaflora, tudo em um raio muito pequeno, muito concentrado. Essa é a densidade que a gente chama, e naturalmente começaram a surgir outras iniciativas mais alinhadas a esse cenário de inovação em rede, que são os hubs”.Agtechs e startups são termos hoje presentes no vocabulário do agronegócio nacional. Para o leigo, ainda são difíceis de entender. Mas para quem busca estar atualizado com o setor, conhece-los é essencial. “O termo ‘startup’ é recente. Com o desenvolvimento das tecnologias digitais, utilizando fortemente a conectividade da internet, armazenamento em “nuvem”, internet das coisas (IoT), automação, começaram a surgir novos modelos de negócios, com escalabilidade, replicabilidade e transferibilidade. A startup é uma empresa inovadora, pois se ajusta rapidamente às mudanças decorrentes do interesse dos seus clientes” explica o gerente executivo da Esalqtech Incubadora Tecnológica, Sergio Marcus Barbosa. “Já as agtechs são startups do agronegócio. Este termo ganhou força a partir de 2015, principalmente com o posicionamento do agronegócio brasileiro como o setor mais importante do Brasil. A agricultura é uma atividade de alto risco, exige tecnologia para ser sustentável, no tripé sócio-econômico-ambiental. Nossa ciência agrária é de alto nível e, juntando-se ao espírito empreendedor dos profissionais da área, foi a ‘receita’ de sucesso para que muitos investidores começassem a identificar oportunidades”, observa. Segundo José Tomé, muitas dessas startups surgiram de universidades, criadas por alunos de mestrado e doutorado. “Fizemos ano passado um ‘censo’ das startups do agronegócio, e uma das perguntas era sobre como surgiu a ideia da startup. Além das universidades, elas também surgem de pessoas que tiveram a ideia enquanto trabalhavam em uma empresa. Ela tem a ideia, quer implementar, mas por algum motivo a empresa não implementa. Então ela sai, empreender, concretiza essa ideia e faz sua startup. No agronegócio em particular há empreendedores maduros que já tiveram sucesso com outras empresas e agora estão no agro, e esse movimento de hubs ajuda a fomentar esse negócio”, observa. “Em termos de investimento, hoje está se amadurecendo muito a cultura do investidor ‘anjo’, que são muitas vezes ex-alunos de universidades ou executivos que fomentam startups. O produtor também está começando a investir, além de grandes empresas. O cenário de investimento hoje está bem diversificado”, comemora. Pedro Noce comenta que as startups agrícolas surgiram a partir das oportunidades que foram observadas no mercado e fomentadas por esses empreendedores. “Um dos objetivos do Pulse é permitir um ambiente de colaboração para os empreendedores, pois eles apresentam uma diversidade de perfil muito grande. Por meio do hub, é possível fomentar a discussão de novas ideias e soluções, que gerem tecnologia para os problemas reais das empresas. O hub permite reunir acadêmicos, universitários e profissionais do mercado corporativo. Todos que tenham uma boa ideia, visão de negócio e saibam como suas soluções podem trazer ganhos de produtividade para as empresas, podem ser investidores ou até mesmo empreendedores. No Pulse, por exemplo, por permitir a conexão entre todos os envolvidos no ecossistema de inovação, é possível que a startup inscreva seu projeto, que será analisado por uma curadoria. As soluções não precisam ser voltadas ao agronegócio, visto que o hub também está olhando para as inovações abertas como um todo.”